...ou: A resignificação da memória.
Eu faço na PUC-SP especialização chamada "História , Sociedade e Cultura", e a cada semestre são desenvolvidas oficinas muito boas, no que é chamado "Atelier de Clio". Em uma dessa oficinas a temática era a memória, e a professora trabalhou basicamente com um texto famoso do
Pierre Nora, autor francês ligado à "Nova História", chamado "Entre memória e história: a problemática dos lugares", em que ele trabalha a idéia das várias memórias, os espaços da memória como museus, a memória de quem viveu, etc... A professora para demonstrar esses aspectos passou para a classe um exelente filme de
Alain Resnais, chamado"
Hiroshima Mon Amour". A segunda parte da oficina foi uma pequena atividade que eu particularmente achei um pouco descabida, pois se tratava de um questionário sobre desenhos antigos e desenhos recentes, direcionando assim para a idéia de que lembramos mais dos desenhos antigos pois o fluxo de informações hoje é tão grande que a memória se torna algo efêmero e absorvemos muito porcamente o que nos é passado, o único detalhe é que no questionário sobre os desenhos antigos e recentes eu e mais alguns sabíamos basicamente tudo, e isso que estava contido coisas como digmon. HUAHUAHUA
Desses pontos cheguei a algumas reflexões sobre tudo isso. A primeira idéia é que a memória não é algo rígido, e sim algo volátil e assim como tudo na vida nós damos sentido e significado a elas, e conforme a vida se modifica a sua memória e seus significados da memória também se modificam, no caso dos desenhos por exemplo pelo fato das pessoas no lugar serem mais velhas o desenho provavelmente tem um significado ligado à geração e a infância, diferente da pessoa mais nova que está criando a memória naquele momento, é algo recente e ainda não tão significativo para ele. Alguns desenhos da minha época eu não ligava muito, porém ele tem uma conexão com minha pessoa pois é um desenho "da minha época", e também é relevante às outras pessoas que viveram aquele período, criando-se assim uma memória "compartilhada", que gera toda uma resignificação do que pensava daquele desenho, de repente em uma conversa de amigos você se lembra dele e os porques de não gostar muito, aí mesmo o não gostar acaba tendo um peso e um significado forte. Hoje posso dizer que sei mais de super sentais e chaves do que sabia na época que os assistia. :)
Outra reflexão é que embora tudo isso, não se pode negar que o próprio significado do que é memória, e dos objetos da memória estão em deslocamento, o que quero dizer com isso é que apesar de ser fácil viajar pela mente e memórias de milhares de pessoas através de blogs e afins, tudo está passível de ser destruído e "deletado" de forma muito mais fácil que um diário de papel, o mesmo para fotos e tantas outras coias, um probleminha na HD, um estagiário apagando sem querer algo importante de algum servidor ou banco de dados e as memórias de quem você é se vão. Talvez por isso hoje se busque de forma tão frenética aparecer, o "ser visto". Com tanta efemeridade e causas possíveis para destruir o que somos, ao menos aparecer e ser visto é uma maneira de nos vermos como imortais.
E tudo isso hoje porque ouvi uma mmúsica que gostava, mas vi que por ser mais velho sua letra faz mais sentido hoje do que já fez algum dia.
Fortuna!