11.4.10

Pensamentos sobre literatura, ou...

...Dream a little dream of me.

Hey you
Out there in the cold
Getting lonely, getting old
Can you feel me?

Uma vez sonhei que havia morrido e estava em forma de espírito assistindo as pessoas em meu próprio funeral, lembro muito bem dessa noite, por algim motivo estava dormindo em um colchão de espuma no quarto dos meus pais, encostado no feio armário branco que eles tinham. Óbviamente acordei chorando e eu devia ter nessa época uns 11, 12 anos, de lá para cá não consigo me lembrar de mais nenhum pesadelo, nem sonhos estranhos recorrentes como estar caindo, ou de estar trancado em alguma sala estranha, entre outras tantas coisas contadas somente em conversas mais profundas, quando nos abrimos e falamos de sentimentos. Penso agora que meu mundo de sonhos e pesadelos eu busquei e vivi acordado dentro de livros, quadrinhos e na tristeza da rotina.

Certo, após meses sumidos abro um post um tanto dramático e sombrio, mas que não deixa de ser verdade, quando bem novo Maurício de Souza me ajudou a ler com a Turma da Mônica, principalmente Chico Bento (meu personagem favorito), passei paulatinamente para os livros, lembro da minha fase de procurar algo para ler nas estantes abarrotadas de livros empoeirados de minha casa, li "cachorrinho samba", "O Caso da Estranha Fotografia" e a minha grande paixão "O Escaravelho do Diabo", nessa época graças ao extinto Círculo do Livro minha família conseguia comprar algumas boas coleções, apesar do pouco dinheiro em uma casa abarrotada de gente, nessa época ganhei toda a coleção do "Manual do Escoteiro Mirim", e depois a coleção da Aghata Christie, e a trilogia "Brumas de Avalon".

Meu primeiro grande livro comprado sozinho e escolhido por mim foi "Senhor dos Anéis", e "A Divina Comédia" versão bilingüe (escrevo com trema e que se foda), com a internet então tudo passou a ficar mais fácil, o que não encontrava para comprar eu baixava, mais tarde ela também me deu a oportunidade de ler quadrinhos que a muito não estavam no mercado, principalmente da linha Vertigo, como Hellblazer, Sandman, US: Tio Sam, Como matar seu namorado, A pró, entre muitos outros, além da oportunidade de encontrar outras pessoas com mesmo interesse, e aqui lembro do amigo John que me emprestava qualquer livro dele sem pestanejar, mesmo sem saber onde eu morava, ou ter meu telefone, e me apresentou vários jogos, filmes e livros como a saga Perry Rhodan (da qual sou apaixonado), lembro que um mês depois ja tinha mais de 100 desses livros comprados em sebos.

Apesar da parência egocêntica do post estava somente refletindo sobre o processo de leitura em minha vida, como busquei e fui conhecendo coisas novas, e como vejo pessoas que disperdiçam a oportunidade de conhecer, de buscar, e dessa forma o que parece difícil é deixado de lado. A arte de certa forma é a expressão de nossos sonhos e pesadelos, por isso quando a realidade nos rasga a carne mostrando seu pior lado é reconfortante saber que posso ter um pouco do sonho de J.R.R. Tolkien, Isaac Asimov, William Gibson, Robert E Howard, H.P. Lovecraft, e muitos outros, pois se meus sonhos não são marcantes, os deixados por eles me bastam.

Esse post é dedicado ao John, viciado mór em livros e ao Abílio Marcondes de Godoy, e Eduardo Spohr, pessoas que vemos lutando para cristalizar seus "sonhos" nesse mundo.

6 comentários:

John I disse...

Guilherme, obrigado. Não sei o que falar, fico feliz que nossa amizade tenha influenciado tão positivamente você.

Sempre sinto falta daquelas conversas, eu voce, Coxa etca lá em casa, pois é dificil encontrar um pessoal com cabeça igual, conversa que no fim do dia re-energiza voce.

Quanto aos sonhos, seria legal poder casar as duas idéias...

Já imaginou ter acesso à biblioteca de Morfeus? Todos os livros escritos e os nunca escritos? hehe

Abraços, e não fique tão melancólico :)

Quanto eu for pra Jacareí vamos marcar algo, colocar os papos em dia.

Whiskey Jack disse...

Ótimo texto.
Daqueles que conseguem me dar aquela sensação de nostalgia.
Me fez lembrar de como vivia na biblioteca municipal e como ficava na sacada do prédio onde morei tomando sol no inverno e devorando a coleção vaga-lume.

E aproveito e agradeço a você, Lesh, por ter me dado informações adicionais sobre a vida dos meus autores favoritos.
Por ter me ensinado a baixar scans e a usar o programa que facilita a leitura.
E um dia eu pego seus Perry Rhodans pra ler.

abraços.

Keep Walking.

DIO disse...

Gostei do artigo Guilherme!
Pena que as novas gerações estão perdendo o habito de ler livros...
Ah! Quero aproveitar e convidá-lo, e quaisquer outros interessados, a visitarem da comunidade no Orkut:
Perry Rhodan Brasil
http://www.orkut.com.br/Main#Community?cmm=66731
E colaborarem, mesmo que sejam ocasionalmente, na troca de informações, debates, enquetes, sugestões, etc.
Novas opiniões sempre são bem vindas.
Até lá...

*margaridanegra* disse...

Gostei do post.
De repente me lembrei da minha infancia, onde passava as tardes na biblioteca municipal de marília, lendo e esperando a minha mãe sair do serviço.
Pra continuar o padrão dos coments, agradeço as dicas de livros..
=)
bj

Anônimo disse...

O fessor qq vc fuma hein? oO

Juliana disse...

Eu sempre tenho pesadelos. Especialmente aqueles relacionados a sair em público sem as calças. Fim.